Isso não deveria doer

Daí que na quarta-feira eu acordei sentindo a dor mais forte que já senti nesses 38 anos de vida.

Num primeiro momento, enquanto eu flutuava numa semiconsciência e me virava na cama procurando uma posição menos dolorosa, pensei que era a boa e velha dor muscular causada pelo trabalho que tinha feito no dia anterior, carregando livros de um lado pra outro no meu sebo.

Mas não. Totalmente desperto em poucos segundos, comecei a curtir aquela dor e percebi que era um tipo novo, um tipo que eu nunca tinha experimentado antes.

Ok, não sou nenhum especialista no assunto, os diversos sabores de dor que podem ser experimentados pelo ser humano não são meu forte, então logo parei de pensar nisso e me concentrei em respirar, algo que estava se mostrando bastante trabalhoso naquela hora.

Me levantar e caminhar não foi muito difícil, o difícil foi por isso em prática. Tomei um comprimido de paracetamol e tentei ficar tranquilo enquanto esperava que ele fizesse algum efeito. Claro que não fez e a dor foi ficando mais foda.

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Na primeira onda forte mesmo, eu tive ânsia e pensei “que diabos?!”. A partir da segunda já não pensei mais nada e na terceira eu estava vomitando.

No pronto-socorro a senha mágica pra passar na frente de todo mundo é “cólica renal”. Tente se você estiver querendo falar com o médico o mais rápido possível. Talvez dizer pra ele que o melhor que ele faz é voltar pra Cuba.

Então tomei buscopan com soro enquanto um velhinho com suspeita de dengue dizia pro meu irmão que chá de bigode-de-gato é um santo remédio pros rins. Uma planta, não partes de um animal. Se bem que o efeito provavelmente é o mesmo.

Não me entenda mal, eu acredito na medicina natural, saúde através das plantas e tal, mas alguém que esteja sentindo uma dor forte não quer saber de chás e de homeopatias, quer algo que seja despejado diretamente nas veias e traga alívio imediato, porque além de ser um grande inimigo da dor eu sou também um grande fã de drogas. Parece que não, né? Mas sou sim. Sou tão fã que só as uso quando é estritamente necessário, que é pra fazer efeito de verdade.

Enfim, enquanto o buscopan, meu novo melhor amigo, viajava na minha corrente sanguínea espalhando seu pequeno milagre, eu fazia minha própria incursão numa autoanálise pra tentar entender o que me levou a estar ali naquela situação.

A conclusão a qual cheguei é a seguinte: eu sou burro.

Bebo pouquíssima água porque nunca tenho sede, nunca mesmo, e tenho preguiça de me levantar e beber água pra depois ter que me levantar e ir ao banheiro. Por outro lado, ando bebendo refrigerante como se fosse água. Outro grande erro foi acreditar que ter uma dieta vegana me livra da possibilidade de desenvolver cálculos renais.

Isso já havia passado pela minha cabeça antes? Sim. Fui desleixado e ignorei o bom senso? Sim.

Como desgraça pouca é bobagem e só se aprende repetindo a lição, no mesmo dia, a noite, tive outra crise. Dessa vez foi um pouco pior e tomei algo mais forte junto com o buscopan.

Fiquei apreensivo vendo o efeito dessa segunda dose passar, mas não houve mais ataques desde então. Meu urologista — agora tenho um urologista — disse que provavelmente a pedra saiu. Eu estava prestando muita atenção, mas não tive o vislumbre disso acontecendo. Há a possibilidade de que a pedra seja maior que um grão de areia e… mas sejamos otimistas! De qualquer forma, vamos esperar o resultado do exame.

Então só me resta fazer o que está ao meu alcance. Bem, adivinha? Tenho um novo objetivo de vida: nunca mais sentir esse tipo particular de dor enquanto eu viver.

Farei o que é necessário, estou bebendo água de um modo que faria qualquer paulistano me odiar e continuarei nessa marcha enquanto houver água potável no mundo. Aliás, estou mijando água potável. Outra coisa: refrigerantes nunca mais. Adeus Coca-Cola, nosso amor foi eterno enquanto durou ;(.

Como sou um tagarela, ando contando em detalhes pra todo mundo o que aconteceu comigo e minha decisão de mudar alguns hábitos. Fiquei perplexo com a estranheza que a notícia causa nas pessoas. Parece que abstinência de refrigerantes é algo bem radical. A maioria delas diz que pedras nos rins são coisas da vida e que não é preciso tomar medidas tão desesperadas assim. Até mesmo nas palavras tranquilizadoras do médico eu percebi um pouco disso.

Talvez eu esteja sendo movido pela memória recente da dor? Talvez. Talvez os prazeres da mesa compensem esses problemas pontuais? Talvez.

Mas, vem cá, venhamos e convenhamos, veja bem, acompanhe meu raciocínio: essa espécie de roleta russa do xixi, essa trolada do rim lembrando pra você quem manda nessa porra, esse ‘oi’ surpresa do capeta, vale um copo de soda?

Mixando com fones de ouvido — O que usar e como fazer

Às vezes no homestudio é preciso trabalhar usando fones de ouvido (headphones), mesmo durante a mixagem. Então, qual fone deve ser usado e como obter melhores resultados?

Em algum momento, todos recorremos aos fones quando tentamos avaliar uma mix. Existem inúmeras ocasiões em que tal prática é necessária: trabalhando tarde da noite, quando usar monitores causa incomodo, ou mesmo gravando com equipamentos portáteis, o que torna impraticável o uso de amplificação. Pode ser que a sala de mixagem tenha acústica deficiente ou que não estejamos familiarizados com o equipamento de monitoração disponível, e não confiemos ou não podemos confiar no que ouvimos através dele. Também podemos estar gravando na mesma sala em que estamos monitorando e, novamente, alto-falantes devem ser evitados. Seja qual for a razão, trabalhar com fones de ouvido é uma prática comum. Neste artigo, vou versar um pouco sobre as técnicas que podem fazer o uso de fones mais confiável e produtivo.

Os prós e contras de mixar usando fones de ouvido

A primeira coisa a se dizer é que, de modo geral, monitorar com fones de ouvido é quase sempre apenas a “segunda melhor” opção. A grande maioria das gravações sonoras é destinada a ser ouvida via alto-falantes e isso é importante para entender esse fato. As diferenças simples de amplitude que codificamos no nosso sinal estéreo para fornecer informação de posição (usando o famoso botão de pan — panorama) criam uma impressão verossímil de posicionamento espacial apenas quando se faz uma audição através de um par de alto-falantes corretamente posicionados.

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Ouvir com alto-falantes é diferente de ouvir com fones, não só porque cada canal não chega ao ouvido oposto, mas também porque há uma importante contribuição dada pelo som refletido que chega de diferentes ângulos.

O modo como nossos ouvidos interpretam os sons vindos dos alto-falantes é intrinsecamente muito diferente do que é interpretado dos sons de um par de fones de ouvido simples. Estereofonia é uma ilusão auditiva — assim como assistir 25 imagens estáticas por segundo em rápida sucessão cria a ilusão de movimento natural. Ao escutar um alto-falante, seu som direto chega em ambas as orelhas, e se ele estiver posicionado mais perto de um determinado lado (o alto-falante esquerdo, por exemplo) seu som chegará primeiro ao ouvido mais próximo. As diferenças fixas de tempo de chegada para cada orelha se combinam com as diferenças na variação de amplitude codificada entre os canais do áudio estéreo, e enganam nosso senso de audição levando-nos a perceber diferentes tempos de chegada para cada som reproduzido como vindos de direções distintas.

Ouvir com fones de ouvido funciona de um modo totalmente diferente. Nos fones, cada orelha ouve apenas o som de seu próprio fone — não há caminho natural em que o som do fone esquerdo chegue a orelha direita, por exemplo. Como resultado, as diferenças de amplitude definidas entre os canais esquerdo e direito não criam as diferenças de tempo de chegada necessários. A consequência é que a maioria de nós percebe os sons como vindos de dentro de nossas cabeças, espaçadas numa linha que vai de orelha a orelha.

Existem alguns sistemas que tentam contornar essa deficiência ao introduzir os efeitos de diafonia inerentes aos alto-falantes. No entanto, emular um ambiente de audição com alto-falantes é mais complexo do que simplesmente vazar um pouco de cada canal para o fone oposto. A diafonia precisa ter um atraso (delay) numa quantidade de tempo adequada e modelada espectralmente para refletir os artefatos acústicos naturais introduzidos quando o som passa pela cabeça humana. Essa combinação de processamento é muitas vezes referida como “funções de transferência relativas à cabeça” (head-related transfer functions ou HRTF), mas eu não tenho conhecimento de quaisquer exemplos comerciais que funcionem bem o suficiente para serem usados em mixagens precisas. Dito isto, o sofisticado processamento digital de sinais de convolução tem muito a oferecer nesse contexto, e ao menos um sistema experimental extremamente promissor vem sendo desenvolvido, como descrito no box “simulador de sala binaural”.

O resultado é que, se quisermos usar fones de ouvido para monitoração crítica, temos que aprender a interpretar o que se ouve através deles e relacionar isso aos efeitos obtidos por alto-falantes convencionais.

Mixagem surround em fones de ouvido: Desenvolvendo um simulador de sala binaural

Se mixar estéreo em fones de ouvido é suficientemente difícil, como poderemos então desejar uma mixagem surround? Bem, há uma solução mas atualmente é impraticavelmente cara e continua sendo um projeto em desenvolvimento. O German Research Institute, o IRT e a Studer codesenvolveram um simulador de sala binaural (BRS). Essencialmente, um par de fones de ouvido estéreo muito precisos equipado com um sensor de posicionamento que informa ao equipamento o que o operador está “vendo”. Este é um dos elementos mais caros do sistema atualmente, mas é crucial para sua eficácia.

O sistema envolve dois estágios separados — fase de programação e fase de reprodução. Na fase de programação, um sistema de microfones binaural em formato de cabeça (como o Neumann KU100) é colocado na posição ideal de audição de uma sala de monitoramento real. Sinais de impulsos de teste especiais são reproduzidos nos alto-falantes um de cada vez e os sinais captados pelos dois microfones das orelhas da cabeça são armazenados para análise posterior. Esse processo é repetido com a cabeça sendo rotacionada cerca de cinco graus por vez, num total de mais ou menos 45 graus. Os dados armazenados são então traduzidos para diagramas de convolução altamente detalhados, mostrando como a sala de monitoramento específica reage para cada canal de som surround.

A fase de reprodução utiliza esses dados de convolução para processar cada um dos sinais de entrada do canal surround para gerar o campo de som estéreo binaural correspondente, e todos os campos de som binaural de cada canal são combinados antes de serem reproduzidos nos fones estéreo. O sensor de posição nos fones de ouvido diz aos processadores de convolução qual determinado conjunto de dados utilizar, de modo que, conforme o usuário move sua cabeça, os dados de convolução correspondentes são aplicados, e o som percebido permanece estacionário para o ouvinte, assim como seria na vida real. Embora isso tudo adicione uma quantidade enorme de complexidade extra ao sistema, é um requisito essencial para que a ilusão de ouvir um sistema de monitoração surround verdadeiro funcione de forma confiável.

A enorme quantidade de poder de processamento necessário para convoluir seis canais de áudio com precisão e definição suficientes para o monitoramento de alta qualidade, faz esse modelo demasiado caro para uma aplicação comercial viável atualmente, mas algumas unidades de teste foram construídas e eu fui sortudo em ter acesso a uma delas. Embora tenha sido possível identificar pequenos defeitos na qualidade de áudio do protótipo em que fiz o teste, sua capacidade de retratar um exemplo totalmente crível e estável de som surround foi incrível e claramente esta técnica tem muito a oferecer nos próximos anos.

Parece que seu mais recente teste prático foi a transmissão do concerto do Dia de Ano Novo de Viena no início deste ano. A emissora estatal ORF, decidiu lançar um novo serviço de transmissão de som surround com este evento. Como a sala de controle de som do seu caminhão Outside Broadcast era pequena demais para criar um monitoramento de som surround adequado, o engenheiro de mixagem obteve sucesso ao utilizar o sistema Studer BRS experimental durante os ensaios para estabelecer a mixagem em surround.

Esta é certamente uma tecnologia a ser acompanhada. Como o custo do processamento digital de sinais continua a cair, ela vai tornar-se brevemente uma tendência comercial mais viável, seja para aplicações de som estéreo ou surround. Quando isso acontecer, o monitoramento com fones repentinamente se tornará muito mais preciso e confiável do que através de alto-falantes convencionais, para aqueles de nós que dependem de salas de monitoramento com acústica imperfeita. Afinal de contas, o sistema pode ser programado com dados convolucionais recolhidos a partir de uma ou mais das melhores salas de monitoramento de estúdio do planeta, que todos poderíamos compartilhar então no conforto de nossos estúdios caseiros!

Diferenças entre fones de ouvido e monitores

A diferença mais óbvia entre monitoramento via fones de ouvido e alto-falantes é a impressão de posicionamento estéreo, assumindo o uso convencional de técnicas de diferença de amplitude via pan. Se usarmos um dos sistemas mais complexos que envolvem diferenças de tempo de chegada e até mesmo HRTF (algo que só é praticável em alguns consoles digitais high-end), então a imagem sonora será traduzida mais facilmente. No geral, porém, quando se ouve via fones, a imagem espacial percebida fica espalhada ao longo de uma linha entre as orelhas, dentro da cabeça. Nós todos nos acostumamos facilmente com isso, mas o verdadeiro problema é que a linearidade das proporções de panorama sonoro é bastante diferente daquela experimentada em alto-falantes. Não há jeito simples de se adaptar a esta outra que não através de experiência construída.

Regulagens de pan são particularmente muito difíceis de se julgar usando fones de ouvido, por isso é importante comparar as suas percepções nos fones com o resultado nos alto-falantes, a fim de ganhar experiência.
Regulagens de pan são particularmente muito difíceis de se julgar usando fones de ouvido, por isso é importante comparar as suas percepções nos fones com o resultado nos alto-falantes, a fim de ganhar experiência.

É preciso um tempo considerável para ser capaz de se julgar valores de pan usando fones de ouvido. Não é impossível de se fazer, mas é muito difícil. Para ser honesto, eu acho que a maioria de nós provavelmente confia mais em nossos olhos quando a mixagem é feita usando fones, observando as posições dos botões de pan visualmente em vez de analisar com os ouvidos, como seria quando monitoramos em alto-falantes. Claro, pans extremos não são o problema — o “miolo” é que é vago e difícil de mesclar com precisão. Mesmo decidir sobre uma posição precisa no centro pode se mostrar difícil para algumas pessoas!

O truque é praticar primeiro com uma única pista (melhor usar um sinal mono com um amplo espectro de frequência) e comparar a posição que você percebe quando monitorando com fones de ouvido com a posição percebida em alto-falantes. Uma vez que você se acostume a forma como essas duas coisas se relacionam, então você pode relacioná-las com a característica de pan específica do mixer que você está usando — essas características variarão em diferentes equipamentos.

Outra grande diferença entre monitorar com fones de ouvido e alto-falantes é a forma como o cérebro processa a informação que recebe através das orelhas. Com o monitoramento dos alto-falantes, por ambas as orelhas ouvirem ambas as fontes, o cérebro processa a informação que recebe em conjunto e aplica uma espécie de máscara estéreo. Por sua vez, quando ouvindo com fones, o cérebro processa os dados de uma maneira completamente diferente, tratando as informações de cada orelha independentemente, desconstruindo a imagem estéreo. O resultado é que certos elementos e mudanças abruptas na mix, que podem ser inaudíveis quando ouvidas em alto-falantes, se tornam claramente nítidas em fones de ouvido. E às vezes o inverso também acontece.

Por fim, a ausência evidente de qualquer impacto físico (ou “vibração” para os mais refinados) dos sinais de baixa frequência pode criar a impressão de que falta alguma coisa no resultado da mix — e isso pode ser agravado pelas características bastantes estranhas das frequências graves em alguns fones de ouvido.

Usando fones de ouvido com segurança

Obviamente, ouvir sons altos durante longos períodos não é uma boa ideia porque dano auditivo é cumulativo e pode ser permanente. Para piorar a situação, quanto melhor o equipamento de monitoramento (em outras palavras, quanto menores os níveis de distorção), mais silencioso ele parece ser, e por isso é mais fácil terminar ouvindo em níveis perigosamente elevados. Com alto-falantes, mesmo os realmente bons, você tende a saber quando está ficando muito alto porque seus órgãos internos começam a vibrar a cada batida do bumbo, coisas começam a cair da mesa e os vizinhos chamam a polícia! Nenhum desses efeitos colaterais acontece quando se usa fones de ouvido, e até mesmo o sangue jorrando dos tímpanos rompidos fica escondido pelas almofadas dos fones! (Estou brincando. O sangue vai pingar, não jorrar…)

A Canford Audio não apenas vende uma variedade de diferentes modelos de limitadores para fones de ouvido, mas também oferece serviço de montagem de limitadores passivos tipo BBC para pares de fones individuais.
A Canford Audio não apenas vende uma variedade de diferentes modelos de limitadores para fones de ouvido, mas também oferece serviço de montagem de limitadores passivos tipo BBC para pares de fones individuais.

O ponto é que você precisa ter cuidado extra ao usar fones de ouvido. A fonte de som está muito próxima, você pode ficar tentado a ouvir em volume alto para minimizar o ruído ambiente e não vai sentir os efeitos físicos causados por níveis elevados de som, o que pode, por sua vez, inconscientemente incentivá-lo a elevar o nível ainda mais. Com o tipo de amplificação de saída de fones da maioria dos equipamentos atuais, combinado com o uso de fones de baixa impedância, é muito fácil gerar níveis perigosamente elevados.

Naturalmente um grau mínimo de bom senso é necessário, mas como a percepção humana é facilmente enganada, eu recomendo pausas de cinco ou dez minutos a cada meia hora ou menos para descansar as orelhas e reestabelecer um nível de referência sensata. Vá preparar uma xícara de chá ou tomar um ar fresco — o que for preciso para sair do estúdio por um tempo e deixar as orelhas se recuperarem. Se, quando você voltar, o volume dos fones parecer alto demais, tome isso como um sinal: você está exagerando e corre o risco de sofrer danos auditivos! Obviamente haverá momentos, especialmente se você estiver editando faixas de áudio, em que você precisará elevar o nível para perceber detalhes sutis. Apenas lembre-se de baixar o nível depois, tanto para obter uma apreciação realista da edição quanto para preservar sua audição.

Atualmente é cada vez mais comum nos círculos profissionais usar limitadores passivos em fones de ouvido para garantir que os níveis não excedam um volume pré-determinado (normalmente entre 85 dBA e 110 dBA, valores determinados pela quantidade de tempo que usuários podem ser expostos a altos níveis sonoros). A Canford Audio manufatura e instala esses dispositivos originalmente concebidos e implementados pela BBC. Você pode comprar alguns modelos de fones de ouvido com limitadores já instalados, incluindo o Beyerdynamic DT100s e o Sennheiser HD480s, ou pode fornecer seus próprios fones de ouvido para a Canford, que irá testá-los e selecionar, instalar e calibrar um dispositivo limitador adequado para eles. Recomendo totalmente estes dispositivos, embora a montagem do limitador pode ser tão cara quanto comprar fones de ouvido já equipados, e isso só é viável em uso comercial, onde se seguem regulamentos de saúde e segurança.

Escolhendo os fones de ouvido certos

Há diversos tipos de fones de ouvido, mas os dois principais usados em estúdios e salas de monitoramento são os do tipo circumaural fechado ou semiaberto. Estes termos referem-se ao tipo de montagem dos transdutores (nesse caso, é como são chamados os pequenos alto-falantes dos fones). Os fechados são os fones em que praticamente nenhum som escapa para o ambiente, da mesma forma que pouco do som externo penetra. Esse tipo de fone é a melhor escolha para salas de gravação, permitindo que os músicos ouçam o que está sendo tocando sem que vazamentos dos fones sejam captados pelos microfones.

Estes Sennheiser HD600s fornecem som de extrema qualidade em mixagens, mas o seu design semiaberto os torna inadequados em muitas tarefas de gravação em estúdio, e com seu cabo em forma de Y requer cuidado ao ser retirado da cabeça.
Estes Sennheiser HD600s fornecem som de extrema qualidade em mixagens, mas o seu design semiaberto os torna inadequados em muitas tarefas de gravação em estúdio, e com seu cabo em forma de Y requer cuidado ao ser retirado da cabeça.

Porém, até pouco tempo a maioria dos fones fechados soava muito triste — quadradões, maçantes ou embotados, e com falta de ar e ambiência. Isso não é realmente um problema em gravações ou sessões com outros músicos pois nesses casos só é necessário um retorno isolado, mas a tomada de decisões críticas de mixagem é quase impossível se a qualidade do som for pobre. No entanto, alguns dos designs mais modernos podem produzir um som bastante respeitável, e modelos dignos de consideração e de audição incluem AKG K271, Beyerdynamic DT150, Sennheiser HD250, e Sony MDR7506 e MDR7509. Os dois últimos modelos são particularmente impressionantes, muitas vezes eu uso os MDR7509s em mixagens.

Alternativamente, o design semiaberto tem tradição em oferecer a melhor qualidade sonora no monitoramento com fones de ouvido. A desvantagem é que esse tipo de fone vaza bastante som e também atenua pouco o som ambiente. Essas características podem ser um problema dependendo da circunstância. Para mixagem à noite, fones semiabertos podem ser perfeitamente aceitáveis, enquanto que para gravações provavelmente não serão. As melhores opções encontradas incluem AKG K240, Beyerdynamic DT990, Sennheiser HD600, e Ultrasone HFI2000. Eu confiei no onipresente K240s por muitos anos até substituí-lo pelo HD600, mas o modelo austríaco ainda tem muito a oferecer!

Sem nenhuma surpresa: quanto melhores os fones de ouvido, maior o preço. Para mixagens precisas eu sugeriria pares que custam cerca de £100 no Reino Unido, para o mínimo necessário em termos de qualidade, com os melhores modelos custando em torno de duas vezes esse valor. Enquanto alguns podem inicialmente hesitar com tal custo, na realidade, até mesmo £200 é trivial em comparação com um par de alto-falantes de estúdio decentes e um amplificador de definição equivalente.

Apesar de fones de ouvido fechados geralmente terem um som sofrível, o Sony MDR7509s apresenta uma reversão nessa tendência e pode ser uma boa escolha para mixagem. O cabo único saindo do fone esquerdo faz com que este modelo seja fácil de colocar e retirar, mas alguns usuários podem ter dificuldade e desconforto por causa de seu cabo espiral.
Apesar de fones de ouvido fechados geralmente terem um som sofrível, o Sony MDR7509s apresenta uma reversão nessa tendência e pode ser uma boa escolha para mixagem. O cabo único saindo do fone esquerdo faz com que este modelo seja fácil de colocar e retirar, mas alguns usuários podem ter dificuldade e desconforto por causa de seu cabo espiral.

Ao comprar fones de ouvido é fundamental ter em mente como eles devem ser confortáveis de usar. Quando estiver mixando, você irá usá-los por períodos de tempo consideráveis, por isso vale a pena se dar ao trabalho de experimentar os diversos modelos selecionados, por um período razoável de tempo, para obter uma verdadeira impressão de como será trabalhar com eles. Além disso, certifique-se de que eles se ajustam corretamente a sua cabeça. Que fiquem onde você colocá-los e não escorreguem quando você olhar para baixo. Também pode ser um problema caso sejam muito pesados ou apertem excessivamente as orelhas ou os lados da cabeça. Vale a pena procurar modelos que não esquentem e façam os ouvidos suarem, com almofadas substituíveis, uma grande vantagem para fins de limpeza.

Se você está investindo em fones de ouvido caros, verifique se peças de reposição podem ser obtidas facilmente, de modo a manter seu equipamento funcionando caso seja necessário. Fones são puxados pra lá e pra cá e caem da mesa com bastante frequência, alguma manutenção é de se esperar!

A confiabilidade do cabo e conectores é, obviamente, muito importante, embora as pessoas discordem sobre qual o tipo de cabo preferido. Alguns não gostam de cabos espiralados principalmente porque eles exercem uma tensão considerável sobre o fone de ouvido quando esticados, sendo também mais pesados do que os cabos lisos. No entanto, eu realmente prefiro este tipo, desde que seja longo o suficiente para permanecer encolhido durante o uso normal. Eu acho o trecho extra muito útil quando preciso me mover, para mim os cabos lisos sempre parecem perigosos de serem esticados!

Há também a escolha entre um com cabo que sai de apenas um dos fones ou um em formato Y. Eu prefiro fones de ouvido onde a conexão do cabo sai apenas de um lado puramente por conveniência prática. No entanto, há um argumento que diz que este pode ser tecnicamente inferior por causa da necessidade de um trecho de fio a mais passando sobre a cabeça até o fone do lado oposto. Em contraste, os modelos com cabo Y são mais suscetíveis a danos quando deslizam para trás da cabeça e sofrem tensão pelo peso do conjunto!

Táticas práticas de mixagem

Se você está investindo sério num par de fones para uso em mixagem, faz sentido optar por algo com um conjunto completo de peças de reposição. Afinal, fones de ouvido muitas vezes sofrem uma quantidade razoável de abusos no homestudio e você não vai querer ter que substituir todo o conjunto se apenas um único componente precisa de conserto.
Se você está investindo sério num par de fones para uso em mixagem, faz sentido optar por algo com um conjunto completo de peças de reposição. Afinal, fones de ouvido muitas vezes sofrem uma quantidade razoável de abusos no homestudio e você não vai querer ter que substituir todo o conjunto se apenas um único componente precisa de conserto.

Em termos práticos, o requisito mais óbvio para a mixagem em fones de ouvido é passar algum tempo se acostumando com os fones escolhidos, antes de mixar qualquer coisa pra valer. Ouça criticamente uma grande quantidade de material comercial. Acostume-se com o equilíbrio espectral dos diferentes fones de ouvido — muitos tendem a parecer um pouco mais brilhantes e agudos que alto-falantes convencionais — e aprenda a relacionar isso com o que você ouve nos alto-falantes. Descubra como os instrumentos de baixas frequências soam nos fones. Em particular, a forma como a frequência fundamental e os harmônicos se erguem e se equilibram com as frequências dos outros instrumentos. Tenha em mente que parte do impacto visceral e peso das baixas frequências experimentado com alto-falantes estará ausente, por isso é importante aprender a perceber a diferença.

Já que bons fones de ouvido muitas vezes têm níveis de distorção menores que de alto-falantes, você pode perceber detalhes em médio baixo com bem mais clareza do que com caixas de som modestas. Isso pode levá-lo erroneamente a mixar instrumentos de frequência média com menos presença do que eles precisam ter ou aplicar menos equalização do que faria de outra forma.

Mixar com fones de ouvido é um desafio. Eles são, de muitas formas, inerentemente inferiores aos monitores. No entanto, essas deficiências são muitas vezes deixadas de lado pela praticidade. Com treino é possível criar mixagens perfeitamente aceitáveis a partir de fones de ouvido, mas, assim como familiarizar-se com a sonoridade de um par de monitores desconhecido leva tempo e esforço, o monitoramento com fones é uma habilidade que, para ser adquirida, requer uma percepção diferente do que se ouve.

Hugh Robjohns, publicado em dezembro de 2003 no SOS.

Projeto Arcade – Parte 08

quasepronta

É isso aí, a máquina está praticamente pronta, falta apenas a adesivagem decorativa, o vidro de proteção da tela e a tranca da porta traseira.

Depois de meses com o projeto parado, a coisa andou rápido assim que meu irmão aplicou o revestimento de fórmica. Morri numa grana forte nas últimos materiais que faltavam e suamos bastante para fixar o tubão de 29 polegadas. A fonte de alimentação geral, os ficheiros, o computador e todo o resto foi moleza.

Penei um pouco na fiação dos controles porque são muitos fios. Tive medo que desse tudo errado já que eu fiz um hack usando teclado ao invés de gamepads. Se fosse usar esse esquema, precisaria de uns quatro deles porque no total são 25 botões mais os dois direcionais e dois ficheiros. Tem um ninho de rato embaixo daqueles botões.

Segue a lista quase final de custos:

DESCRIÇÃO PREÇO
2 comandos Electromatic c/ micros e 27 botões de nylon c/ micros R$ 154,25
2 barra de terminais de 12 contatos cada R$ 13,00
100 contatos de terminal R$ 25,60
Chapa de compensado sarrafeado – virola 250×160 R$ 91,35
Laminado fórmica brilhante preto R$ 220,40
Lata de cola de contato 2,8kg R$ 29,56
4 rodinhas R$ 30,00
Teclado USB R$ 22,00
TV de 29” Toshiba Lumina R$ 0,00
Computador obsoleto R$ 0,00
2 ficheiros porta dupla c/ cofre, 4 fechaduras, 2 ranhuras e 100 fichas R$ 375,75
2 latas de tinta spray preto fosco, água raz, fita crepe R$ 36,60
2 placas de acrílico transparente 69,5 x 14,5 R$ 50,00
Parafusos, porcas, cola branca, retalhos de madeira e outras ferragens R$ 0,00
Fios e outros materiais elétricos (sucata) R$ 0,00
Fonte bivolt (sucata) R$ 0,00
Vidro de proteção do tubo  ?
Adesivos laterais  ?
Fechadura da porta traseira  ?
TOTAL R$ 1.048,51

 

Sim, ficou cara essa brincadeira. Gastei muito no ficheiro porque não encontrei um modelo de porta com duas entradas de ficha, então tive que usar dois. A fórmica também foi um golpe, me arrependo de não ter usado uma chapa de compensado com acabamento, teria sido bem mais simples e talvez mais barato.

Mas o importante é que o projeto está sendo concluído e eu tenho um brinquedo bacana e a esperança de ter feito um bom investimento.

Ela já está no meu sebo e você pode jogar a vontade os mais de 5000 jogos ao preço de R$ 0,50 a ficha ou, melhor ainda, levar esse trambolho pesado e enorme pra sua casa pela bagatela de R$ 2800,00.

Eu realmente gostei muito da estética que máquina acabou ganhando e acredito que ficou ergonomicamente excelente para competições em jogos de luta.

Acho que não é difícil que alguém interessado em construir sua própria máquina de jogos considere usar esse modelo, por isso em breve vou compartilhar as informações que acumulei durante esse projeto, juntamente com detalhes da construção, fotos, medidas etc.

Projeto Arcade – Parte 07

Finalmente conseguimos uma TV de tubo de 29″! \o/

O melhor é que foi de graça, portanto muito mais barato.

Tradicionalmente, como era de se esperar, mudei de ideia e agora sim está decidido que o cérebro vai ser um PC rodando MAME. Absurdamente complicado adaptar todos os comandos de um controle de PS, entre outras questões.

Falo mais sobre isso num email de resposta a um leitor com dúvidas sobre controles de arcade. Leia abaixo:

=====

Roberto,

Vi que está uma empreitada para montar um arcade. Estou tentando fazer o mesmo com um ps3 utilizando a placa ps360+ para emular os controles da bancada. Como você fez para ligar o ps3 junto com o Arcade e uma única chave?

Olá

Eu ia fazer com um ps3 mas mudei de ideia porque para usá-lo precisaria de uma TV ou monitor moderno com entrada hdmi, o que é essencial pois o ps3 usando a saída de video componente fica com uma imagem horrível. Além disso, adaptar os controles direcionais dariam um trabalhão. O meu problema é que preciso manter o custo final baixo usando uma TV de tubo de 20″ ou 29″.

Não sei qual o seu objetivo com o arcade mas tenha em mente isso para não limitar o console. Tela de pelo menos 29, hdmi. Essa placa que você menciona eu no conheço, pesquisei rapidamente no google pra ver do que se trata.

Parece que ela não emula TODOS os comandos do pad original, então você deixará o console limitado a apenas alguns jogos, aqueles que não usam os dois direcionais. Daí você perde o melhor do ps3 :/

Veja, na minha opinião, como eu descrevi no post Projeto Arcade – Parte 05 no caso de usar um ps3, o melhor a fazer é usar dois desses controles genéricos, desmontá-los e adaptar no painel. Não são caros, talvez mais baratos que essa placa. A parte difícil é adaptar os dois direcionais de cada controle. Mas se você conseguir isso terá uma máquina fantástica que poderá jogar qualquer jogo lançado para ps3 e os disponíveis da PSN.

No seu lugar, se você quer mesmo usar um console, considere um ps2 desbloqueado. É um console barato e que tem muito, muito jogo no mercado “informal”. Praticamente tudo que já foi lançado nos arcades tem pra ps2.

Não sei em que ponto do projeto você está, mas calcule bem essas coisas e não faça como eu que fui construindo e mudando de ideia toda hora :D

Defina o que você quer da máquina, quanto tempo ficará com ela, se venderá no futuro, essas coisas.

Eu estou apenas esperando aparecer uma boa TV de 20 ou 29 por um preço justo pra dar continuidade. Já tenho o PC rodando bem uma compilação MAME com uns 2000 jogos. É o modo mais simples e barato de fazer um arcade. Eu pretendo vendê-la depois de enjoar, então ela precisa ser barata de fazer. Imagino vender por até 2000 reais.

Quanto a ligar tudo, você precisará de uma fonte estabilizadora comum de PC ou mesmo uma dessas réguas de tomadas, desde que das boas. Tem que embutir no gabinete. Desmonte, puxe uma extensão do interruptor e instale-o num lugar acessível na parte traseira ou superior do gabinete.

Aliás, uma dica: A tv ou monitor precisa ser retirada da caixa original e você também vai precisar instalar alguns coolers pra resfriar o interior do gabinete. Isso é muito importante. Separe uma fonte de um PC velho apenas para ligar esses coolers. O console, se você for usar, também precisa ter espaço pra respirar, ainda mais em se tratando de Playstation.

É isso, boa sorte.

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LEIA TODA A HISTÓRIA DESSA EMPREITADA ATÉ AQUI

Projeto Arcade: 01 – 02 – 03 – 040506

Direitos Animais: A Abordagem Abolicionista

Animais: Nossa Esquizofrenia Moral

Dizemos levar os animais a sério.

Todos nós concordamos que é errado causar sofrimento ou morte aos animais “sem necessidade”. Mas o que isso quer dizer?

No mínimo, quer dizer que é errado causar sofrimento e morte aos animais só porque sentimos prazer ou nos divertimos fazendo isso, ou então porque é conveniente, ou porque é puro hábito.

Mas a esmagadora maioria dos usos que fazemos dos animais – quase todos os usos – não tem nenhuma justificativa, a não ser nosso prazer, divertimento, hábito ou conveniência.

A maioria dos animais é morta para a produção de comida. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), os humanos matam aproximadamente 53 bilhões de animais – isto é, 53.000.000.000 – para comida por ano, fora os peixes e outros animais marinhos.

145 milhões.........mortos a cada dia
6 milhões..........mortos a cada hora
100.000..........mortos a cada minuto
1.680 ..........mortos a cada segundo

Esse número está crescendo e poderá dobrar na segunda metade do século.

Como podemos justificar essa matança?

Não podemos justificar essa matança baseados na ideia de que precisamos comer produtos animais por questões de saúde. Não há dúvida de que não precisamos. Na realidade, a evidência mostra, cada vez mais, que os produtos animais fazem mal à saúde humana.

Não podemos justificar essa matança baseados na ideia de que ela é “natural” porque os humanos comem animais há milênios. O fato de estarmos fazendo uma coisa há muito tempo não quer dizer que essa coisa seja moralmente boa. Os humanos foram racistas e machistas durante muitos séculos, e agora reconhecem que o racismo e o machismo são imorais.

Não podemos justificar essa matança como necessária para a ecologia global. Há um crescente consenso quanto ao fato de que a criação de animais para comida é um desastre ambiental.


  • Segundo a FAO, a criação de animais para comida é responsável por mais emissão de gases do efeito estufa do que o uso de gasolina em carros, caminhões e outros veículos.
  • A pecuária utiliza 30% de todo o solo do planeta, incluindo 33% das terras cultiváveis, usadas para produzir comida para os animais explorados nessa atividade.
  • A criação de animais para comida está resultando na devastação das florestas para criar novas pastagens e numa grave e extensa degradação do solo, que sofre compressão devido ao pastoreio excessivo, além de erosão.
  • A criação de animais para comida é uma das principais ameaças aos recursos hídricos mundiais, cada vez mais escassos. É preciso um imenso volume de água para produzir alimento para esses animais. O pastoreio excessivo em várias partes do planeta atrapalha os ciclos da água. A criação de animais para comida contribui significativamente para a contaminação aquática.
  • Os animais consomem mais proteína do que produzem. Para cada quilo de proteína animal produzida, os animais consomem, em média, quase 6 quilos de proteína proveniente de grãos e forragem.
  • São necessários mais de 100.000 litros de água para produzir 1 quilo de carne e aproximadamente 900 litros para produzir 1 quilo de trigo.

Como os animais consomem muito mais proteína do que produzem, os grãos que deveriam servir de alimento aos humanos são dados de comer aos animais. Assim, a criação de animais para comida, junto com outros fatores, condena muitos seres humanos a passarem fome.

A única justificativa que temos para causar sofrimento e morte a 53 bilhões de animais por ano é que comê-los nos dá prazer, é conveniente para nós e é um hábito.

Em outras palavras, não temos nenhuma boa justificativa.

Nosso modo de pensar sobre os animais não humanos é muito confuso. Muitos de nós vivem, ou já viveram, com companheiros animais como cães, gatos, coelhos, etc. Nós amamos esses animais. Eles são membros importantes das nossas famílias. Quando eles morrem, sofremos.

Mas enfiamos garfos em outros animais que não são diferentes daqueles que amamos. Isso não faz o menor sentido.

Como tratamos os animais

Além de usarmos os animais para todo tipo de finalidade que não pode ser considerada “necessária”, nós também lhes damos um tratamento que, se fosse dado a seres humanos, seria considerado tortura.

Há leis de bem-estar animal exigindo que tratemos os animais “humanitariamente”. Mas essas leis geralmente não fazem sentido, porque os animais são propriedade. Os animais são mercadorias: seu único valor é aquele que nós lhes damos. No que concerne à lei, animais são como carros, móveis ou qualquer outra propriedade nossa.

Como os animais são propriedade, nós geralmente permitimos que as pessoas os usem para a finalidade que quiserem e lhes causem um sofrimento terrível durante o processo.

Por que não obter leis e padrões industriais melhores?

A maioria das organizações de proteção animal afirma que a solução para o problema da exploração desses seres é melhorar as leis de bem-estar animal, ou fazer pressão para a indústria melhorar os padrões de tratamento. Essas organizações fazem campanhas por métodos de abate mais “humanitários”, sistemas de confinamento mais “humanitários” como jaulas maiores, etc. Algumas delas afirmam que melhorar o tratamento dos animais faz com que o uso de animais seja totalmente eliminado no futuro, ou, pelo menos, seja significativamente reduzido.

Mas será que a solução é essa, mesmo? Não, não é.

A realidade econômica é tal que as reformas bem-estaristas oferecem poucas melhoras, se é que oferecem alguma. Por exemplo, o abate “humanitário” de aves com gás envolve tanto sofrimento quanto o abate de aves com choque elétrico.


Caracterizar a exploração dos animais como uma atividade que está ficando mais “humanitária” faz o público se sentir mais à vontade quanto ao uso de animais, o que o incentiva a continuar consumindo produtos animais e pode até aumentar o saldo de sofrimento e mortes.


Além disso, não há absolutamente nenhuma prova de que as reformas bem-estaristas levem ao fim do uso de animais ou a uma redução significativa do seu uso. Os padrões e as leis de bem-estar já existem há mais de 200 anos e nós estamos explorando mais animais, e em condições ainda mais horríveis, do que em qualquer época da história humana.

E o mais importante de tudo é que reformar a exploração ignora a questão fundamental: como podemos justificar o uso de animais como nossos recursos – por mais “humanitariamente” que os tratemos?

Qual a solução?

A solução é abolir a exploração dos animais, em vez de regulá-la. A solução é reconhecer que, assim como reconhecemos que todo ser humano, independentemente de suas características particulares, tem o direito fundamental de não ser tratado como propriedade alheia, todo não humano senciente (perceptivamente consciente) também tem esse direito.

O que isso significa na prática?

Você deve estar querendo saber como fazer alguma coisa para abolir a exploração animal.

Há uma coisa que você pode fazer.

Você pode se tornar vegano(a). Agora mesmo. Veganismo quer dizer que você parou de consumir produtos de origem animal.

O veganismo não é uma mera questão de dieta; é um compromisso moral e político com a abolição, no nível individual, e abrange questões não só de comida, mas também de roupas e outros produtos, além de outras ações e escolhas pessoais.

O veganismo é aquilo que todos nós podemos fazer hoje – agora – para ajudar os animais. O veganismo não requer uma campanha cara, nem o envolvimento de uma grande organização, nem legislação, nem nada fora o nosso reconhecimento de que, se o termo “direitos animais” significa alguma coisa, significa que não temos justificativa para matar e comer animais.

O veganismo reduz o sofrimento e a morte dos animais por meio da redução da demanda. Representa uma rejeição à condição de mercadoria dos animais não humanos e o reconhecimento de seu valor inerente.

O veganismo também é um compromisso com a não violência. O movimento pelos direitos animais deve ser um movimento de paz e deve rejeitar a violência contra todos os animais – humanos e não humanos.

O veganismo é a forma mais importante de ativismo político em que podemos nos engajar pelos animais.

E uma vez que você tiver se tornado vegano(a), comece a educar sua família, seus amigos e outras pessoas de sua comunidade a também se tornarem veganos.

Se quisermos abolir a exploração animal, um movimento vegano é um pré-requisito necessário. E esse movimento começa com a decisão do indivíduo.

Mas o que há de errado em comer produtos animais que não a carne?

Não há nenhuma diferença significativa entre comer carnes e comer laticínios ou outros produtos animais. Os animais explorados para produzir laticínios, ovos ou outros produtos são tão maltratados quanto os animais criados para produzir carne (ou mais maltratados ainda). E todos eles acabam no mesmo matadouro, depois do quê nós consumimos sua carne do mesmo jeito.


Há tanto sofrimento e morte num copo de leite, ou num sorvete, ou num ovo, quanto num bife.


Dizer que há uma diferença moral entre comer carnes e comer laticínios, ovos ou outros produtos animais é tão absurdo quanto dizer que há uma diferença moral entre comer vacas grandes e comer vacas pequenas.

Enquanto mais de 99% das pessoas continuarem pensando que é aceitável consumir produtos animais, nada vai mudar de verdade para os animais.

Portanto…

A decisão é sua. Ninguém pode tomá-la por você. Mas, se você acredita que as vidas dos animais têm valor para eles próprios, e que por isso você deve respeitá-las, então pare de participar da matança dos animais, por mais “humanitariamente” que eles sejam tratados.

Junte-se ao movimento abolicionista. Torne-se vegano(a). Hoje. É fácil ser vegano(a). E é a coisa certa a fazer.

Para mais informações, visite A abordagem abolicionista em:

www.AbolitionistApproach.com

© 2008 Gary L. Francione & Anna E. Charlton.
A distribuição por outros indivíduos ou organizações não indica necessariamente que os autores aprovem quaisquer pontos de vista que possam ser expressos por esses indivíduos ou organizações, que não os contidos aqui.


Retirado do modelo do panfleto disponível aqui. Salve, imprima, distribua.

Faça um case para seu leitor de ebooks usando uma caixa de DVD

Olha que legal: uma caixa de DVD comum funciona muito bem como case de transporte para um Kindle, Kobo e alguns outros modelos de leitores de livros digitais. Ou seja, se seu dispositivo tiver medidas de até 185 x 120 x 10 mm provavelmente cabe dentro de uma simples caixa de DVD. É rápido de fazer, eficiente e barato.

Você vai precisar de:

      Uma boa caixinha de DVD que feche bem.
      Um pedaço de TNT ou tecido fino e macio
      Cola escolar ou cola quente
      Dois pedaços pequenos de bastão de cola quente ou algo similar
      Dois pedaços de papel cartão ou papelão do tamanho do ereader
      Tesoura, faca ou estilete e um alicate

caixa1

Comece soltando o plástico da capa e cortando o suporte central onde vai preso o disco, deixando apenas as beiradas laterais que vão firmar o aparelho para que ele não fique dançando para os lados. Cuidado para não rachar a caixa toda.

Se você conseguir retirar apenas o necessário para encaixar o tablet, melhor, não vai precisar usar o cartão como reforço na parte traseira, mas isso é difícil de conseguir.
caixa2

Quebre as duas linguetas da parte interior, cole o cartão de papel grosso ou papelão na parte traseira da caixa e prenda novamente por cima o plástico da capa.

caixa4

caixa5

Cole o forro de TNT ou tecido e o cartão que vai proteger a tela do ereader. Quanto mais rígido esse cartão for, melhor, desde que seja fino e leve.

Usando o próprio aparelho como gabarito, fixe os dois pedaços de qualquer coisa na parte superior e inferior para que ele não fique sambando dentro da caixa durante o transporte. Dois pedacinhos de bastão de cola quente envoltos por TNT funcionam bem.

caixa7

caixa8

Pronto! Agora arranje uma capa bacana (ou nada a ver, como a minha) e corra pro abraço.

caixa9

 

Computador velho como terminal de consulta de preços, versão 2

Uma outra forma de por em prática o projeto de um terminal de consultas usando um PC antigo

Ao invés de uma página HTML estática que contenha a lista de produtos, página essa que exigiria edição manual para acréscimo e retirada de produtos em estoque, vamos usar uma página com um pouco de PHP para carregar automaticamente o arquivo TXT gerado pelo seu programa de automação, tornando a manutenção muito mais simples e rápida.

É uma alteração bem fácil e que não vai exigir muito mais da capacidade do PC, no entanto é aconselhável usar Windows XP no lugar do 98. 256 de RAM é recomendável.

PÁGINAS EM PHP PRECISAM DE UM SERVIDOR

Para que uma página com PHP funcione, você precisará de um servidor web rodando na máquina. A melhor opção nesse caso é o Server2Go. Baixe a versão mais simples e zipada aqui. Ele é um servidor portátil, ou seja, não precisa ser instalado e pode ser carregado até mesmo num pendrive.

CONFIGURANDO O SERVIDOR

Descompacte o Server2Go e copie a pasta para o lugar onde ele ficará no HD, recomendo que seja na raiz mesmo, em C:/

No diretório do programa, vá em htdocs e jogue dentro os arquivos terminal.txt e index.php (o arquivo de texto puro gerado pelo seu programa de automação e o arquivo contendo o código que eu forneço abaixo). Já existe um arquivo index.php nesse diretório. Você pode optar por renomear o arquivo original ou simplesmente substituí-lo.

EIS O CÓDIGO DA PÁGINA HTML COM PHP

Abra o bloco de notas e cole esse código. Salve com a extensão .php e com o nome index. Talvez você tenha algum problema na hora de copiar e colar o código e perca as quebras de linha. Se vire, quebre tudo manualmente caso isso aconteça e deixe exatamente como exibido abaixo, senão vai dar zebra:

<!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN">
<html>
<head>
<meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=ISO-8859-1">
<meta http-equiv="refresh" content="10">
<title>CONSULTA DE PRE&Ccedil;O</title>
<meta http-equiv="Pragma" content="no-cache">
<meta http-equiv="expires" content="timestamp">
<script language="JavaScript" type="text/javascript">
var TRange = null;
function Procurar(str) {
if (parseInt(navigator.appVersion) < 4) return;
var Resultado;
if (window.find) {
Resultado=self.find(str);
if (Resultado && self.getSelection && !self.getSelection().anchorNode) {
Resultado=self.find(str)
}
if (!Resultado) {
Resultado=self.find(str,0,1)
while (self.find(str,0,1)) continue
}
}
else if (navigator.appName.indexOf("Microsoft")!=-1) {
if (TRange!=null) {
TRange.collapse(false)
Resultado=TRange.findText(str)
if (Resultado) TRange.select()
}
if (TRange==null || Resultado==0) {
TRange=self.document.body.createTextRange()
Resultado=TRange.findText(str)
if (Resultado) TRange.select()
}
}
if (!Resultado) alert ("PRODUTO SEM CADASTRO - PROCURE O VENDEDOR") 
return;
}
</script>
<style type="text/css">
body {
background-color:blue;
font-family:sans-serif;
overflow-y: hidden
}
body,div,form,.campo {
margin:0;
padding:0;
border:0
}
*:focus {outline: none;}
.cabeca, .barra {
background-color:blue; 
color:white;
text-align:center
}
.resultado,#busca,.botao,.campo {
background-color:yellow
}
#busca,.botao {
color:yellow;border:0
}
.campo {
margin-left:5px;
overflow: hidden;
font-weight:bold;
font-size:15px;
font-family:monospace;
color:#000000;
text-transform:uppercase
}
h1 {
font-size: 60px
}
h5 {
font-size: 20px
}
h6 {
font-size: 17px
}
</style>
</head>
<body onload="document.getElementById('busca').focus();">
<div class="cabeca">
<br>
<h1><i>BUSCA PRE&Ccedil;O</i></h1>
<h5><marquee behavior="alternate">PASSE O C&Oacute;DIGO DE BARRAS DO PRODUTO SOB O FEIXE DE LUZ</marquee></h5>
</div>
<div class="resultado">
<form id="f1" action="" onsubmit="if(this.t1.value!=null &amp;&amp; this.t1.value!='') Procurar(this.t1.value);return false" name="f1"><input type="text" id="busca" name="t1" value="" size="20"> <input class="botao" type="submit" name="b1" value="Q"></form>
<form action="">
<textarea class="campo" name="mytextarea" cols="87" rows="3" readonly>
 
 
 
<?php
$f = fopen("terminal.txt", "r");
while (!feof($f)) { 
$arrM = explode("|",fgets($f)); 
 
echo "" . $arrM[1] . "
";
echo "R$ " . $arrM[2] . "
";
echo "" . $arrM[0] . "
 
";
 
}
fclose($f);
?>
 
 
 
</textarea></form>
<br>
</div>
<div class="barra">
<h6>AGUARDE A CONSULTA ANTERIOR APAGAR ANTES DE REALIZAR OUTRA</h6>
<img src="barcode.gif" width="250"><br><br>
<?php 
  $file = "terminal.txt"; 
  $lines = count(file($file)); 
  echo "<small>$lines produtos - " . date ("d/m/Y H:i:s</small>", filemtime($file));
?>
 
</div>
</body>
</html>

O QUE VOCÊ PRECISA CONFIGURAR

O endereço e nome do arquivo txt e o separador de campo (no exemplo, o separador é |)

$f = fopen("terminal.txt", "r");
while (!feof($f)) { 
$arrM = explode("|",fgets($f));

O nome do arquivo TXT pode ser o que você quiser e inclusive ficar em outra pasta, apenas lembre-se de alterar o endereço e nome dele no arquivo PHP. Já este obrigatoriamente precisa se chamar index para ser aberto automaticamente ao iniciar o servidor. O Server2Go funciona muito bem nesse projeto porque, ao ser executado, abre o Internet Explorer diretamente na página index que estiver no diretório htdocs.

Uma vez definido o local do servidor (que pode ser num pendrive se você preferir), crie um atalho para o executável dele (Server2Go.exe) no menu iniciar para que ele seja aberto ao ligar o computador. Lembre-se que a ideia é que tudo seja o mais automático possível, isso precisa ser um front-end.

A maneira mais rápida e sem complicação de criar esse atalho, caso você não saiba, preste atenção, é clicar e segurar com o botão direito do mouse o arquivo executável e arrastar até o botão Iniciar do Windows, esperar abrir o menu, ir até Programas – Inicializar e soltar o botão. No menu que aparecer, clique em “Criar atalhos aqui”. Veja:

criar-atalho

Pronto! Com isso feito, o servidor vai iniciar sozinho quando o computador for ligado e abrirá o Internet Explorer direto na sua página de consultas.

CALIBRANDO O WINDOWS

Como estamos usando o Windows XP e supondo que foi recém instalado, provavelmente a resolução do monitor deve estar em 800 x 600. Bem melhor que os 640 x 480 default do Windows 98. Por causa disso, alterei um pouco a aparência da página, aumentando o tamanho das fontes.

Vamos primeiro dar uma calibrada para deixar o Windows mais esperto. Comece indo no Painel de Controle – Sistema. Na aba Avançado, clique em Desempenho – Configurações. Marque “Ajustar para obter um melhor desempenho” e clique OK. Agora vá na aba Atualizações Automáticas e marque “Desativar Atualizações Automáticas”. Na aba Remoto, desmarque “Permitir o envio de convites de assistência remota deste computador”. Clique OK.

Ainda no Painel de Controle, abra Barra de tarefas e menu iniciar e deixe configurado como mostrado nas telas abaixo:

config-1

config-2

Agora uma parte importante. Como queremos que o PC fique por sua conta, é importante que ele não durma e nem desligue o vídeo. Ainda no Painel de Controle, clique em Vídeo. Na aba Proteção de tela, selecione (Nenhum) no menu de proteção de tela. Em seguida, clique no botão Energia… e deixe tudo como mostrado na figura abaixo:

config-3

CALIBRANDO O INTERNET EXPLORER

Uma vez que você já tenha criado o atalho e anteriormente copiado os arquivos terminal e index para o diretório do servidor, reinicie o PC para vermos como ele vai se comportar. Provavelmente muito mal, mostrando algo mais ou menos assim:

primeiravez

Esses malditos balões amarelos vão ficar querendo aparecer a todo momento, atrapalhando nosso negócio. Posteriormente mostrarei como desabilitá-los. A princípio clique nesse do tour para que o windows sossegue.

Siga essa mandinga à risca: estique para todos os cantos a janela do IE ao máximo, sem clicar no botão maximizar. Clique com o botão direito do mouse na barra de ferramentas e desmarque tudo. Agora clique em Exibir e desmarque Barra de status. Agora feche o IE e reinicie o computador.

Já melhorou, agora o IE abre ocupando quase toda a tela. Clique em Exibir – Tela inteira. Os botões aparecem? Clique em cima dessa barra e marque “Ocultar automaticamente”. Feche o IE e reinicie o PC. Se você fez direito, agora o navegador vai abrir sempre em fullscreen.

Caso isso não aconteça, vá até o menu Iniciar, clique em Executar, escreva regedit e dê Enter. Vá até o diretório do registro abaixo e altere a chave Fullscreen para “yes”:

regedit-1

Aproveite que você está com o editor de registros aberto, vá em [HKEY_CURRENT_USER\Software\Microsoft\Windows\CurrentVersion\Policies\Explorer”, clique com o botão direito, Novo – Valor DWORD, dê o nome “NoSMBalloonTip” e valor 1. Isso resolve o problema dos balões. Não é moleza?

Feche tudo e reinicie pra ver como ficou. Teste a busca algumas vezes seguidas, usando o leitor de código de barras ou mesmo digitando parte do nome de um produto. Em determinado momento, o IE vai perguntar se você quer habilitar o recurso de auto completar. Clique em NÃO. Depois disso não haverá mais surpresas e o sistema funcionará sozinho sem perigo de parar.

A tela é essa:

tela1

Pra animar um pouco, pus um gif e o subtítulo com marquee.

Se você ligar o computador a uma rede via cabo ou Wi-Fi, compartilhe a pasta htdocs para acesso completo, desse modo você pode atualizar o arquivo terminal.txt diretamente da sua máquina principal.

Não vou explicar como criar uma rede entre dois computadores, pesquise no google por “rede windows xp” e você encontrará vários tutoriais, como esse por exemplo. Basicamente os dois PCs precisam estar num grupo de trabalho de mesmo nome e com a pasta htdocs compartilhada com acesso total.

Se não for possível colocar o PC em rede, vai ter que usar um pendrive mesmo.

É isso, divirta-se!

Computador velho como terminal de consulta de preços

Se você tem um comércio e utiliza algum tipo de sistema de automação para controlar seus produtos, deve estar familiarizado com aqueles terminais de consulta onde o cliente passa o código de barras e vê o preço do item. São aparelhos tão úteis quanto caros.

Como estou (finalmente!) começando a informatizar meu pequeno sebo fui procurar saber desses terminais, já que para mim seria importante ter controle fácil e total sobre os preços dos livros. Alguns variam muito de acordo com a época do ano, a moda e etc. Acredito que o melhor é não deixar o preço afixado neles. Por outro lado, a lei exige terminais em estabelecimentos onde o preço não esteja afixado no produto.

Daí eu me vi numa situação complicada porque investir mais de mil reais num terminal de consultas fica além das minhas possibilidades.

Como sou brasileiro e brasileiro é antes de tudo uma gambiarra, encontrei uma solução “elegante” para o problema. É isso mesmo, usar um PC antigo como terminal de consulta!

A lista de coisas que você vai precisar:

  1. CPU velha com porta USB (um Pentium III com uns 256 MB de RAM e um HD pequeno e OK serve bem)
  2. Teclado PS2 ou USB
  3. Mouse PS2 ou USB
  4. Monitor de qualquer tipo (um de tubo de 14 polegadas serve bem)
  5. Leitor de código de barras PS2 ou USB
  6. Sistema operacional Windows (98, ME ou XP)
  7. Pendrive de qualquer tamanho

O funcionamento é bem simples: uma página web aberta em tela cheia no navegador Internet Explorer. Nessa página existe um campo de busca. Quando o cliente aponta o leitor para o código de barras do produto e aperta o botão, a busca retorna na tela os dados do produto. Depois de alguns segundos a página recarrega automaticamente, voltando o foco para o campo de busca e permitindo uma nova consulta. O cliente não precisará usar o teclado ou o mouse, apenas o leitor.

Parece legal? E é, mas tudo isso tem seus inconvenientes. Você precisará atualizar esse arquivo manualmente quando inserir novos produtos no seu estoque e eventualmente para retirar os esgotados.

Ou seja, você terá que:

  1. gerar o arquivo de produtos no seu software de estoque (geralmente é um arquivo txt)
  2. abrir esse arquivo no bloco de notas e copiar o conteúdo
  3. abrir o arquivo html também no bloco de notas e colar o que você copiou no espaço determinado
  4. salvar o arquivo html no pendrive e jogar esse arquivo no computador terminal.

É um procedimento sem segredos e fácil para quem está familiarizado. Se você não faz ideia do que estou falando, melhor pagar para o técnico que cuida da automação do seu negócio fazer isso.

O código que vou compartilhar é escrito em html arcaico e funciona bem no IE6, idealmente usando resolução de tela de 640×480.

Eu testei apenas com o windows ME, sistema operacional que tenho original, mas imagino que funcione com 98 e XP. Em outros navegadores não garanto que fique OK.

Para facilitar, salve o arquivo html diretamente no desktop. Abra e tecle F11 para deixar em tela cheia. Ao abrir, a tela deve parecer assim:

tela1

Quando uma busca é feita, o resultado aparece na faixa amarela:

tela2

Caso o produto pesquisado não esteja na lista, aparecerá uma mensagem de aviso. Não se preocupe, não será necessário teclar ENTER porque a mensagem desaparece ao tentar uma nova consulta com o leitor, e a página volta a carregar normalmente:

tela3

Antes de te fornecer esse código gratuitamente e de forma grátis e de graça, que eu sei que você está ansioso para por suas mãos sovinas, deixe-me explicar alguns detalhes e dar algumas dicas enquanto admiramos juntos essa obra prima da webgambiarra.

O código é antigo, desatualizado e todo errado segundo os padrões atuais, mas funciona que é uma beleza, pelo menos no IE6 do jeito que ele vem instalado no Windows e com resolução baixíssima de 640 x 480.

Tentei manter a página o mais enxuta e leve possível e marotamente consegui esconder o campo de busca simplesmente deixando as cores iguais a do fundo amarelo.

É conveniente desligar a proteção de tela e a economia de energia do computador. Também seria muito bacana fazer uma caixa ou decoração em volta do monitor para se parecer mais com um terminal de consulta, esconder a CPU etc. Colocar um atalho para o arquivo no menu start para abrir ao ligar o PC e dar um jeito de alterar o arquivo via rede também são coisas fáceis de se implantar.

A página está configurada para dar um refresh a cada 10 segundos, o que julgo ser um tempo ideal para o cliente ver o preço e fazer outra consulta sem ter que esperar muito. A cada atualização, o cursor volta ao campo de busca, então não há perigo de se precisar clicar em nada. O leitor de código de barras precisa estar configurado para dar ENTER.

Quando você colar a lista de produtos dentro da tag TEXTAREA, deixe sempre uma linha em branco no começo e no final. Não tente aumentar ou mudar a fonte usada para mostrar o produto, nem alterar para mais o valor COLS da tag TEXTAREA, senão a página pode ficar muito larga e exibir uma barra de rolagem horizontal.

Eu testei o arquivo html usando 20000 linhas de produtos e não houve perda significativa de velocidade na busca ou no carregamento e recarregamento. A imagem no pé da página é apenas uma graça, você pode substituir pelo logotipo da sua loja ou algo assim.

É isso. Está aí o seu terminal de consultas barato e enorme. Eis o código:

<!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN">
<html>
<head>
<meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8">
<meta http-equiv="refresh" content="10">
<title>CONSULTA DE PREÇO</title>
<meta http-equiv="Pragma" content="no-cache">
<meta http-equiv="expires" content="timestamp">
 
<script language="JavaScript" type="text/javascript">
 
var TRange = null;
 
function Procurar(str) {
if (parseInt(navigator.appVersion) < 4) return;
var Resultado;
if (window.find) {
 
// CODE FOR BROWSERS THAT SUPPORT window.find
Resultado=self.find(str);
if (Resultado && self.getSelection && !self.getSelection().anchorNode) {
Resultado=self.find(str)
}
if (!Resultado) {
Resultado=self.find(str,0,1)
while (self.find(str,0,1)) continue
}
}
else if (navigator.appName.indexOf("Microsoft")!=-1) {
 
// EXPLORER-SPECIFIC CODE
if (TRange!=null) {
TRange.collapse(false)
Resultado=TRange.findText(str)
if (Resultado) TRange.select()
}
if (TRange==null || Resultado==0) {
TRange=self.document.body.createTextRange()
Resultado=TRange.findText(str)
if (Resultado) TRange.select()
}
}
 
if (!Resultado) alert ("PRODUTO SEM CADASTRO, PROCURE O VENDEDOR") 
return;
}
</script>
 
<style type="text/css">
 
body {
background-color:blue;
margin:0;
padding:0;
border:0;
font-family:sans-serif;
overflow-y: hidden
}
 
div {
margin:0;
padding:0;
border:0;
}
form {
margin:0;
padding:0;
border:0;
}
 
*:focus {outline: none;}
 
.cabeca {
background-color:blue; 
color:white;
text-align:center
}
 
.resultado {background-color:yellow}
 
#busca {background-color:yellow;color:yellow;border:0}
 
.botao {background-color:yellow;color:yellow;border:0}
.campo {
overflow: hidden;
font-weight:bold;
background-color:yellow;
border:0;
margin:0;
padding:0;
font-size:12px;
font-family:monospace;
color:#000000;
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<h1><i>BUSCA PREÇO</i></h1>
<h5>APONTE O LEITOR PARA O CÓDIGO DE BARRAS DO PRODUTO E APERTE O BOTÃO<br><br>
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Sony Playstation 3 – um review

Comprei um Playstation 3 para usar no arcade que estou fazendo. Vamos a um pequeno review desse console.

Este é o modelo Super Slim de 250GB fabricado no Brasil, código CECH-4214B 02. Edição especial GTA V.

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Esse modelo é 50% menor que o original, o tijolão lançado lá em 2006. Possivelmente essa será a última reformulação do console já que o Playstation 4 chegou.

Ele vem com apenas um controle DualShock 3 sem fio. Pelo que andei lendo por aí, pode não ser original. Não me pergunte! Eu vi isso aqui.

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Acompanha um cabo A/V, um cabo USB para sincronizar e recarregar o controle, cabo de força e o blu-ray do jogo Grand Theft Auto V com manual e mapa da cidade de Los Santos. A caixa por fora da caixa tem o tema do jogo.

Na parte da frente do console existem duas entradas USB 2.0 e os botões Open e Power. Em cima, a tampa do compartimento de mídia, que é de abertura manual. Na traseira temos a porta de rede (ele tem Wi-Fi também), saída HDMI, saída ótica, saída de vídeo componente e conector do cabo de força. A traseira também é quase toda ocupada pelas aletas de ventilação. O bicho esquenta bastante.

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A interface é bem intuitiva mas um pouco feia. Não tenho parâmetro de comparação com outros consoles mas achei que as transições entre telas e menus é um pouco lenta. A PSN também não escapa, não me agradou.

Baixei os pouquíssimos jogos gratuitos que encontrei na PSN americana mas não consegui jogar nenhum. Depois de horas de download, ao abrir o jogo, mais atualizações sem fim. Aliás isso é algo terrível, querer jogar e ter que esperar baixar alguma coisa que nem se sabe o que é exatamente. O que mais se vê são barras de progresso! A única alegria é o GTA V mesmo. Imagino que com uma conexão de Internet rápida de verdade a coisa seja diferente.

Como cresci acostumado com Atari e não me atualizei com essas modernidades, não tenho lá muita paciência. Vamos relevar isso ;)

Além de games o console oferece possibilidades de mídia como música e filmes de serviços como Netflix e Crackle. Bem legal.

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O cabo de vídeo que veio junto com o console é inútil, a imagem fica horrível e é impossível ler algumas coisas. Mesmo usando um cabo de vídeo componente não melhorou muito. HDMI é essencial, tanto é que os filmes em blu-ray que tentei assistir não abriram por exigirem esse tipo de conexão com a TV.

Bom, é isso. Esse foi mais um review paia by Roberto :D

A culpa é do cupim

Sendo um dono de sebo que gosta de ler, vivo sabotando meu negócio ao surrupiar regularmente algum produto das estantes. Nessa história de “hum… quero ler esse, vou levar…” começou a faltar espaço na minha pequena biblioteca, que consiste em duas prateleiras com pouco mais de um metro cada.

Para minha sorte as prateleiras pegaram cupim. Tremo de imaginar esses bichinhos começando sua escavação nos livros que guardo com tanto carinho! Não vi outra solução: estou numa maratona de leitura pra acabar com a biblioteca e migrar de uma vez para os livros digitais. Na verdade vou manter apenas minha coleção do Stephen King, que inclusive quero ampliar.

Uso meu iPad como ereader faz tempo mas somente agora joguei pra dentro dele o fruto de anos e anos de pilhagem cultural. Tenho lá uns 3000 livros devidamente socializados.

Apesar de curtir bastante a ideia do livro digital e ter desenvoltura pra ler mil páginas numa tela de vidro, tenho certa resistência em comprá-lo. Primeiro porque não tenho escrúpulos sou pobre e piratear é fácil, segundo porque ainda considero os livros em papel mais vantajosos.

Eu sei que no formato digital as possibilidades são maiores mas ainda não chegamos lá.

Livros de papel não são presos a nenhum software, plataforma ou empresa, não dependem de nada para serem usados, não exigem senha ou autenticação. Podem ser emprestados sem necessitar de nenhum tipo de sincronização além de um aperto de mãos. Podem ser dados, revendidos e até mesmo jogados fora. Podem cair no chão, levar banhos dos mais diversos líquidos e até mesmo serem parcialmente devorados sem que isso acarrete perda ou corrompimento de dados. Ou seja, zero por cento de frescura.

Ebooks são geralmente uma simples cópia digital do livro impresso, sem maior preocupação com aparência e ainda por cima com quase o mesmo preço. Qual a vantagem? O peso, sim, é uma vantagem. Bem mais fácil ler “Sob a redoma” ou “Novembro de 63″, dois calhamaços que beiram mil páginas, no iPad do que no papel. Mudar o tamanho da fonte? Sim, com certeza é uma grande vantagem. O quê mais?

Por enquanto mais nada. Mas talvez eu esteja por fora, não sei. Mas o que estou dizendo? Claro que estou por fora, ainda acredito que dá pra viver vendendo livro velho!

Pra você ver o malabarismo mental que a gente precisa fazer pra justificar a pirataria.